REENCONTRO

O que houve no Colégio Estadual foi realidade? Sonho? Invencionice minha?

A rampa. A minissaia ao som da bossa-nova. Bronzeadas pernas ao sol do Minas Tênis Clube.

Salas de aulas amplas, envidraçadas, o gramado, a piscina do Minas, a visão clara e próxima do centro da cidade.

O auditório-símbolo. Mata-borrão: que idéia! A severamente castigada estátua da mulher de todos. Tiraram-na de lá, incomodava. D. Ethel, o conto orfeônico: “Pica-pau é um passarinho muito alegre e mui gentil que se encontra lá nas matas majestosas do Brasil”. A conferência de Fernando Sabino. O presidente da Acerce (o grêmio) batendo martelo na mesa: retrato do comendador quando jovem.

A passarela do footing, Lígia, Soninha, Leila, Helena, June, Sílvia, Sílvia, Silvia… o banco sob a árvore em frente a cantina. Trêmulas mãos, tímidas palavras, só? Tlim! Papo! Para sempre.

Continuo? Tudo tão vago, tão pessoal. Aprender, aprendemos. Como brincando. Questionando, subvertendo. Desrespeitando? Provocando, só. Admirávamos e queríamos bem, demais, aos professores. Mestres: Tabajara Pedroso, dona Solange, Letícia Malard, Debrot, Altimiras, Wolney, Mário de Oliveira, Ademar, Eder Simões, o grande Wilton Cardoso. O gentil e paciente José Guerra Pinto Coelho, reitor na repressão. Entre os arapongas. Manso e firme. Corajoso. Amigo. Educador.

Ai, leitor. Tudo tão sem sentido, não? Distraia-se. Volte ao começo, corra ao fim, não importa. Não é assim a crônica? É assim o tempo. 1 O tempo conta demais. Mas muda pouco. Cabelo, barba e bigode. Na mulher, o olhar. Fica mais meigo, condescendente. Materno.

Voltar o que é? Capi, vulgo Marcos Roberto, que organizou a festa dos ex-alunos, arriscou-se muito. Mexeu no vespeiro, abrindo o sacrário do tempo. Reencontro foi para aqueles que esqueceram ou na verdade não viveram.

Um reviver. Isso é o que houve. Assim, num estalar de dedos. Tlim! Vejam ali: o nariz do Inglês, os cabelos de fogo do Blanck, a magreza elétrica do Carlos Goulart, os olhos escancarados do Elson Pimentel, a gorda alegria de Sônia, a risada filosofal do Zé Brandão, a rodinha eterna em torno do Alcides, cuja alma Deus tornou maior incorporando-lhe às de Barbozinha e Lincoln Raso.

Som de risadas, saudações ruidosas, gritos, gente dançando, andando, se abraçando. Como se todos quisessem fazer num só instante o movimento de trinta anos.

Capi festeiro, festejado, deu-nos um momento nosso no espaço mais querido. Reabriu para nós não apenas o colégio. Abriu-nos o coração e permitiu a cada um de nós o reencontro consigo mesmo.

Lindolfo Paoliello
Lindolfo@paoliello.com.br

Últimas Notícias

REENCONTRO

O que houve no Colégio Estadual foi realidade? Sonho? Invencionice minha? A rampa. A minissaia ao som da bossa-nova. Bronzeadas

Adversaridade ou cooperação?

Uma imagem eloquente do surgimento do espírito empreendedor está na cena inicial, silenciosa, do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço,