A diferença entre ganhar dinheiro e fazer dinheiro

Apesar de algumas palavras do inglês americano terem grafia semelhante à do português brasileiro, a cultura de cada país lhes confere significados diferentes. Não me refiro aos falsos cognatos, como push, que não significa “puxar”, ou actually, que não quer dizer “atualmente”. Falo de palavras como commencement, quando usada pelos norte-americanos para designar a cerimônia de formatura universitária. Aqui, chamamos o mesmo evento de “formatura”, um diploma, uma espécie de atestado que garante a proficiência na área. Já commencement transmite a ideia de “começo”. Essas expressões revelam o que se espera de quem conclui a universidade: lá, inicia-se uma jornada; aqui, dá-se a impressão de encerramento. Outro exemplo revelador está na forma como se fala sobre dinheiro. No Brasil, dizemos “ganhar dinheiro”. Em inglês americano, fala-se make money, ou seja, “fazer dinheiro”. À primeira vista, parecem simbolizar o mesmo fenômeno, mas, na essência, revelam visões de mundo distintas. Fazer dinheiro implica criá-lo, gerá-lo onde antes não existia. Ganhar dinheiro sugere uma simples transferência, como se o valor estivesse disponível em algum lugar e bastasse buscá-lo. No universo do empreendedorismo, essa diferença semântica não é um mero detalhe. Ela pode marcar a linha divisória entre inovar e reproduzir, entre criar e apenas executar. Costumo ouvir, de quem procura emprego: “Qual é a área que dá mais dinheiro?”. Essa pergunta denuncia uma lógica coletora, como se a riqueza estivesse pronta, bastando ser colhida. Essa é uma forma de pensar incompatível com o ato de empreender. Quem quer “ganhar” dinheiro busca uma fonte existente. Quem quer “fazer” dinheiro, inova.

Fernando Dolabela
Ex-aluno do Colégio Estadual Central, mestre e MBA em Administração, ex-professor da Fundação Dom Cabral.

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